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terça-feira, 3 de abril de 2012

Sequestrado...

Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus. Atos 20:24

Assim que o pastor Paul Ratsara, ministro adventista do sétimo dia de Madagascar a serviço em Kinshasa, colocou os pés na calçada, um homem se aproximou dele. Um sentimento de medo e pavor tomou conta de seu ser ao ver, apenas a alguns metros de distância, a porta do carro ali estacionado totalmente aberta.

– Entre! – ordenou o homem.

O pastor Ratsara pensou em resistir, mas rapidamente mudou de ideia ao ver a arma na mão do sequestrador. Apesar de seus temores, ele sentou-se no banco traseiro do carro. O homem com a arma na mão sentou-se ao lado dele e fechou a porta. Os bandidos exigiram tudo o que o pastor tinha consigo. Esvaziaram seus bolsos. Depois de pegarem todos os seus pertences, o motorista engatou a marcha do carro e rapidamente dirigiu pelas favelas suburbanas a caminho do rio Congo a alguns quilômetros de distância.

– Vamos matar você e jogá-lo no rio – o líder informou.

Senhor, se Tu quiseres que eu morra, estou pronto; coloco-me em Tuas mãos. Mas, se quiseres que eu viva, por favor, resgata-me!

Após essa breve oração, ele começou a conversar com os sequestradores com confiança.

– Sou missionário – explicou. – Sou de Madagascar. Vim aqui para servir a Deus e à humanidade, incluindo vocês.

O carro começou a desacelerar. Iniciou-se uma discussão entre os membros da gangue no dialeto local. Finalmente, o líder disse aos outros:

– Não, não vamos matar esse homem. Ele é um homem de Deus. Deixaremos ele ir. Não vamos mantê-lo em cativeiro.

O motorista fez meia-volta com o carro e acelerou de volta para a estrada solitária rumo à cidade. Ao se aproximarem do perímetro urbano, os ladrões jogaram tudo o que haviam roubado do pastor em seu colo. Finalmente, o carro parou, e o pastor Ratsara saiu para o ar fresco da liberdade.

– Refleti muito sobre o que aconteceu – afirmou o pastor Ratsara. – Aprendi que, para vivermos, devemos estar prontos para morrer; para sermos livres, devemos livrar-nos do medo da morte. No momento em que não mais estimarmos nossa vida, então seremos verdadeiramente livres. Oro todos os dias para estar em sintonia com Deus, na segurança de que Seus anjos estão comigo.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Em Busca da Pefeição...

Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês. Mateus 5:48

Essas palavras de Jesus têm desafiado e esmagado, motivado e envergonhado muitas pessoas sinceras desde que foram proferidas. Elas ainda servem para os dias de hoje e devemos levá-las a sério.

Algumas pessoas consideram essas palavras como a exigência de uma vida absolutamente isenta de pecado. Com isso em mente, encontram em si mesmas algo que desponta e as faz pensar: “Serei essa pessoa! Farei tudo o que for necessário para me desvencilhar das imperfeições de minha vida para que possa ser encontrado sem pecado diante de Deus!”

Tais pessoas sinceras caem num profundo poço, o poço da ilusão. Passam a se concentrar em si mesmas e a se introverter, ao passo que Jesus nos convida sempre a nos extroverter a fim de abençoarmos o próximo. Ao persistirem nesse caminho, inevitavelmente acabam se orgulhando de sua suposta justiça ou abandonando completamente a religião.

O que Jesus quis dizer com essas palavras desafiadoras? Como sempre ocorre na Bíblia, o contexto em que essas palavras se encontram esclarece seu significado. Para isso, precisamos voltar para o verso 43, verso em que Jesus citou o Antigo Testamento: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas Eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos Céus. Porque Ele faz raiar o Seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos” (Mt 5:43-45).

Nesses versos Jesus disse que devemos nos relacionar com as pessoas – todas as pesssoas, não apenas os amigos – da mesma forma que Deus Se relaciona com elas. Ele é bondoso e generoso para todos, sem distinção ou parcialidade. Então, vem o verso 48, que é a conclusão do argumento: devemos ser completos e maduros (esse é o significado do original), assim como é o Pai celestial em tudo o que Ele faz.

Eugene Peterson expressou Mateus 5:48 nas seguintes palavras: “Em uma palavra, o que estou dizendo é: cresçam. Vocês são súditos do reino. Vivam de acordo com ele. Vivam sua identidade criada por Deus. Tratem o próximo generosa e bondosamente, do mesmo modo que Deus trata vocês” (The Message).

Ellen White afirmou: “Cumpre-nos ser centros de luz e bênção para o nosso pequeno círculo, da mesma maneira que Ele o é para o Universo” (O Maior Discurso de Cristo, p. 77).

segunda-feira, 26 de março de 2012

A mensagem de Crônicas...

Davi, junto com os comandantes do exército, separou alguns dos filhos de Asafe, de Hemã e de Jedutum para o ministério de profetizar ao som de harpas, liras e címbalos. Esta é a lista dos escolhidos para essa função. 1 Crônicas 25:1

Quantos cristãos sinceros se dispõem a ler a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, apenas para ver suas aspirações afundarem no banco de areia do livro de Crônicas? As genealogias aparentemente infinitas e as intermináveis listas de nomes, com raras narrações intercaladas, realmente dificultam a leitura. Poderíamos dizer que, assim como a lista telefônica, o elenco é excelente, mas o enredo é fraco.

A Bíblia possui apenas um Autor, mas muitos escritores. Não se trata de um único livro, mas uma biblioteca com 66 livros que diferem amplamente em conteúdo e gênero. Todos os 66 livros, no entanto, possuem um único propósito: revelar a vontade de Deus e Seu plano para nós. Todos eles nos contam como Deus é, o quanto é grande, poderoso, maravilhoso e, acima de tudo, cheio de graça.

Eugene H. Peterson capturou a essência dos dois escritos que formam o primeiro e o segundo livro de Crônicas. Na versão bíblica The Message, em que tentou colocar a Bíblia na linguagem contemporânea, Peterson incluiu uma introdução aos livros de Crônicas (assim como fez com os demais livros da Bíblia) e notas explicativas:

“Nomes iniciam essa história, centenas e centenas de nomes, listas de nomes, páginas e mais páginas de nomes, nomes pessoais. Não há como contar uma história verdadeira sem mencionar nomes, e essa imersão em nomes chama a atenção ao indivíduo, ao único, ao pessoal, que é inerente à espiritualidade. [...] A história sagrada não foi construída por meio de forças impessoais ou ideias abstratas; foi tecida através de nomes – pessoas, todas únicas. Crônicas apresenta uma defesa sólida contra a religião despersonalizada.

“Crônicas testemunha a respeito do lugar essencial e primordial que a verdadeira adoração deve ocupar na vida humana. [...] Da forma como foi narrada essa história de Israel, percebe-se que nada está acima da adoração como forma de nutrir e proteger nossa identidade como povo de Deus – nem a política, a economia, a vida em família ou a arte. E nada do que diz respeito ao preparo, à conduta na adoração, é pequeno demais para ser deixado ao acaso ou à imaginação – nada na arquitetura, corpo de funcionários ou teologia.”

Diante disso, posso apenas responder: amém! O Deus do Universo, Aquele que nos criou e nos redimiu; o Deus da graça imaculada, que nos conhece por nome, sabe tudo a nosso respeito e nos ama mesmo assim.

terça-feira, 20 de março de 2012

Eu e Tu...

Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Farei para ele uma auxiliadora, uma companheira.” Gênesis 2:18, The Message

Jesus, cheio de graça, sempre teve tempo – sempre dedicou tempo – para todos que encontrava. Nunca estava com pressa demais, ocupado demais ou com o horário apertado demais para parar e conversar.

Que diferença da nossa vida hoje! Vivemos na era da comunicação, mas temos dificuldade em nos comunicar da forma mais básica, pessoalmente. A tecnologia – telefone, e-mail, internet – nos possibilita enviar e receber mensagens do mundo inteiro, mas, quanto mais ferramentas inventamos, mais parecem nos frustrar ou esgotar completamente a fonte da comunicação afetuosa e pessoal que Deus colocou em nosso ser ao declarar: “Não é bom que o homem esteja só.”
embrete curto e grosso: “Hoje, às 8h57, enviei-lhe a seguinte mensagem... Não recebi sua resposta até agora.”

Há meio século, o filósofo Martin Buber escreveu um pequeno e influente livro que, traduzido do alemão, recebeu o título: Eu e Tu. Nessa obra, Buber analisou os relacionamentos, fazendo uma distinção entre os indivíduos de caráter “Eu-Isso” e aqueles de natureza “Eu-Tu”. No primeiro caso, as pessoas se relacionam com as outras como se fossem um objeto; no último, como seres humanos. E é exatamente o último caso que almejamos, especialmente numa época em que os relacionamentos se tornam cada vez mais impessoais.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O Cristo rejeitado...

Veio para o que era Seu, mas os Seus não O receberam. João 1:11

A história de Jesus de Nazaré é inacreditável em muitos aspectos, mas um deles se destaca mais do que os outros: o Criador do Universo veio ao mundo que Ele fez, mas nós, Suas criaturas, O rejeitamos.

Como isso pôde acontecer? Como as criaturas do pó da terra puderam desprezar as mãos que as moldaram? Como homens e mulheres, sujeitos a uma vida cuja expectativa é de 70 a 80 anos, foram capazes de dar as costas para Aquele que é eterno?

Que benevolência! Que paciência! Que humildade! Apenas o fato de vir a este mundo em forma humana, submetendo-Se às leis da hereditariedade, já seria uma grande humilhação. Além de tudo, Ele veio ciente da rejeição, do sofrimento e da morte que O aguardavam. Essa história deixa qualquer mente confusa.

Muito antes de João escrever as duras palavras “veio para o que era Seu, mas os Seus não O receberam”, Isaías já havia predito a rejeição que Cristo sofreria: “Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um Homem de dores e experimentado no sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não O tínhamos em estima” (Is 53:3).

Ele foi rejeitado no passado e ainda é rejeitado hoje. Por quê? Porque Ele é a Luz que brilha no coração de cada pessoa. A Luz que revela como somos. Sob essa Luz enxergamos quem realmente somos. Não é uma imagem bonita de se ver. Essa é a razão de, na época de Jesus e ainda hoje, a maioria das pessoas responder: “Apaguem a Luz!”

“Este é o julgamento: a Luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a Luz, porque as suas obras eram más” (Jo 3:19).

Mas a rejeição não foi total, louvado seja Deus, e hoje também não é. No texto original grego as duas palavras traduzidas como “Seu” e “Seus” em João 1:11 são diferentes. Ele veio para o Seu mundo, e o Seu povo não O recebeu. Ele ordenou que as ondas cessassem, e elas obedeceram; Ele partiu os pães e os peixes, e eles se multiplicaram em Suas mãos. A natureza cobriu a Sua face com as trevas no momento em que Ele ficou pendurado na cruz em agonia.

E houve algumas pessoas (não a maioria, mas algumas) que não O rejeitaram, não disseram: “Apaguem a Luz”, mas que abriram o coração para recebê-Lo.

Naquela época, alguns. Hoje, alguns. Quero estar entre eles, hoje e todos os dias.

terça-feira, 13 de março de 2012

A Máquina de cortar grama...

O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade. Provérbios 17:17

Há algum tempo o jornal Washington Post publicou a fotografia de um homem idoso com uma longa barba branca encaracolada. Ele usava um chapéu de vaqueiro, que havia comprado no México 15 anos antes, decorado com uma corrente de pesos, a moeda mexicana. Estava sentado numa máquina de cortar grama da marca John Deere 1966.

A história que acompanhou a foto tinha como título: “Uma Máquina de Cortar Grama na Estrada.” Trata-se da história de Alvin Ray Straight, 73 anos, que dirigiu sua máquina de cortar grama de Laurens, Iowa, até Blue River, Wisconsin, um total de 400 quilômetros de distância, a uma velocidade de cinco quilômetros por hora. Straight levou seis semanas para completar o percurso.

Comentaristas de rádio e repórteres passaram um dia ao lado desse sujeito idoso de cabelos grisalhos que percorria lentamente estradas secundárias, plantações de milho e pastos, rebocando um trailer improvisado com uma cama de espuma, algumas cobertas e comida.

Não se tratava de uma comédia, mas de uma história de amor. Straight desejava ver seu irmão, Henry, que tinha sofrido um derrame. O que um homem podia fazer morando a 48 quilômetros de distância da rodoviária mais próxima (e que não confia nos motoristas), numa idade em que já não enxerga muito bem para dirigir um carro, com um irmão de 80 anos de idade e o tempo se esgotando a cada segundo? Straight passou o inverno inteiro “matutando” para descobrir como resolveria o problema. Por fim, decidiu fazer a viagem do seu jeito, com as próprias mãos ao volante.

A primeira máquina de cortar grama que usou durou apenas 50 quilômetros antes de o motor fundir. Voltou guinchado para casa, comprou outra máquina, agora da marca John Deere, e começou tudo de novo. Após quatro dias de viagem, teve que trocar o motor de arranque e o gerador. Depois de rodar 145 quilômetros ficou sem dinheiro. Receberia a aposentadoria apenas dali a duas semanas. Estacionou no acostamento e esperou.

A 50 quilômetros da divisa de Wisconsin, Straight foi obrigado a esperar mais uma semana devido às fortes chuvas. Finalmente, chegou ao trailer do irmão em Blue River. A máquina de cortar grama quebrou e Straight completou os quilômetros finais guinchado por um fazendeiro.

O que fez Alvin Straight percorrer aquela longa estrada em sua máquina de cortar grama barulhenta? Ele disse: “Tinha que ver meu irmão.” Isso me faz lembrar de outro Irmão que não conseguiu ficar em casa.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Estrela de Hollywood

Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada havia em Sua aparência para que O desejássemos. Isaías 53:2


É impressionante notar que os Evangelhos, que registram a vida e a morte de Jesus de Nazaré em quatro relatos diferentes, não apresentem nenhuma palavra que descreva Sua aparência física. Neles não encontramos nenhuma dica de Sua altura, feição, cor de pele ou cor dos olhos.

De tempos em tempos, os produtores de Hollywood decidem retratar Jesus. Para isso, selecionam sempre um ator de bela aparência. Eles, que atribuem tanto valor ao exterior, não conseguem imaginar que a Pessoa mais influente da história humana não tivesse uma aparência marcante.

Estão completamente errados. Em nenhum lugar dos Evangelhos, ou em qualquer outro lugar da Bíblia, lemos que as pessoas foram atraídas a Jesus por causa de Sua aparência. Muito pelo contrário. Isaías profetizou que o Messias não teria qualquer beleza ou majestade que atraísse os seres humanos, ou qualquer outra característica física que levasse homens e mulheres a desejarem estar com Ele.

O profeta Samuel, enviado por Deus para ungir o rei de Israel, precisou aprender essa lição. “Não considere sua aparência nem sua altura, pois Eu o rejeitei.

O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração” (1Sm 16:7). Assim, o Senhor desconsiderou todos os filhos mais velhos de Jessé, formosos como eram, e escolheu o mais jovem, Davi, um simples adolescente.

Jesus não foi uma estrela de Hollywood. Todas as evidências registradas na Bíblia levam a concluir que Sua aparência era comum. Um comentário de Ellen White, conforme relatado por membros da família, apoia essa conclusão. Ela indicou certo retrato de Jesus como a representação mais próxima daquilo que viu em visão. E nesse retrato Jesus não é uma estrela de Hollywood.

Jesus não tinha uma bela aparência, mas que vida! Essa, sim, foi cheia de beleza. Não foi majestoso fisicamente, mas que caráter! Nenhum ser humano jamais chegou perto de possuir Sua justiça majestosa, repleta de misericórdia, cheia de graça e de verdade.

“O Rei da Glória muito Se humilhou ao revestir-Se da humanidade. [...] Sua glória foi velada, para que a majestade de Sua aparência exterior não se tornasse objeto de atração. [...] Jesus Se propôs que nenhuma atração de natureza terrena levasse homens ao Seu lado. Unicamente a beleza da verdade celeste devia atrair os que O seguissem” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 43).

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Cristo Resoluto...

Porque o Senhor, o Soberano, me ajuda, não serei constrangido. Por isso eu me opus firme como uma dura rocha, e sei que não ficarei decepcionado. Isaías 50:7

O Cristo de postura firme. Essa é uma imagem que geralmente não temos de Jesus. Estamos acostumados com os generais cuja fisionomia demonstra determinação inflexível – os Pattons, Napoleões e Eisenhowers – mas não Jesus de Nazaré. Preferimos pensar nEle como o Bom Pastor amparando as ovelhas em Seus braços.

Mas a profecia de Isaías se cumpriu na descrição de um dos evangelhos que ecoa as palavras do profeta: “Aproximando-se o tempo em que seria elevado aos Céus, Jesus partiu resolutamente em direção a Jerusalém” (Lc 9:51). Marcos registrou mais detalhes: “Eles estavam subindo para Jerusalém, e Jesus ia à frente. Os discípulos estavam admirados, enquanto os que O seguiam estavam com medo” (Mc 10:32).

Trata-se de uma cena poderosa: Jesus caminha à frente do grupo, talvez desejoso de ficar a sós com Seus pensamentos. Os discípulos O seguem apreensivos. O comportamento de Jesus, agora tão diferente, os deixa surpresos e ansiosos. Sua fisionomia está séria, Seus olhos brilham com intensidade, todo Seu ser transparece determinação. Está decidido e prosseguirá, não importa o preço a ser pago.

O resultado parece inevitável: Jesus escolheu ir a Jerusalém, mesmo ciente de que a rejeição, o desprezo, a traição, a tortura e a morte O aguardavam naquele lugar. Sua vida não era um roteiro a ser seguido; Ele não era um ator, muito menos uma marionete. Ele poderia ter escolhido não ir a Jerusalém e não Se submeter à cruz. Poderia ter abortado Sua missão a qualquer instante. Veio à Terra “com risco de fracasso e ruína eterna” (O Desejado de Todas as Nações, p. 49).

Que Salvador! Que Senhor! O Cristo resoluto ganhou nossa salvação.

E nós, que escolhemos seguir Seus passos hoje, devemos esperar “um mar de rosas”, como diz o ditado? Será que o título que carregamos de “cristão” nos garante uma vida de obediência a Cristo calma, tranquila e confortável? Ou sabemos o que significa ficar firmes como uma dura rocha, determinados a permanecer fiéis a Ele a despeito das consequências?

Paulo conhecia a necessidade de manter uma postura firme. Contra todos os conselhos e advertências, partiu para Jerusalém, ciente de que a prisão e o sofrimento o aguardavam lá.

Isso é graça decidida – a graça do Cristo resoluto.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Recebendo de Graça...

Vocês receberam de graça; deem também de graça. Mateus 10:8


Não sei o que é mais difícil – dar ou receber gratuitamente. Os seres humanos dão esperando sempre algo em troca; Deus não age assim. Os seres humanos recebem sempre procurando introduzir um elemento de mérito ou valor pessoal; Deus fica contente em receber-nos exatamente como somos.


Para nós, é muito difícil receber sem merecer. No fim do filme, no momento em que aparecem os créditos, queremos sempre que nosso nome apareça, mesmo as letras sendo tão miúdas.


No Antigo Testamento, há uma história muito conhecida mesmo entre as crianças e relembrada em algumas canções – a cura de Naamã, o comandante do exército da Síria. Uma menina israelita levada cativa por Naamã falou a respeito de um grande profeta de seu país, famoso por realizar milagres. Certamente ele poderia ajudar seu mestre! Assim, Naamã partiu para Israel acompanhado de servos para carregar os presentes que levava consigo. Após um encontro contencioso com o rei de Israel e ter que engolir o orgulho, Naamã por fim concordou em fazer aquilo que Eliseu, que não lhe falou pessoalmente, prescreveu para ser curado: banhar-se sete vezes no rio Jordão. E uma das canções enfatiza que, ao sétimo mergulho, Naamã foi curado.


Mas o restante da história raramente recebe atenção. Eliseu tinha um servo muito ambicioso, Geazi. Depois de ser curado, Naamã quis a todo custo presentear Eliseu. O profeta, porém, recusou aceitar qualquer coisa; o milagre havia sido realizado por Jeová, não por Eliseu. Unicamente Deus era digno do louvor e do crédito.


Assim, Naamã partiu para seu país, levando consigo todos os presentes de volta. O servo Geazi decide resolver a questão à sua maneira. Até aqui Geazi havia sido apenas um mero espectador na história, testemunhando Naamã ser curado e depois as tentativas inúteis de recompensar Eliseu. Geazi pensou: Isso não está certo! Naamã recebeu o presente da cura e, por isso, deve dar algo em troca. Eliseu é bobo de não aceitar seus presentes.


Geazi corre atrás de Naamã e seus servos. Ao alcançá-los, mente e diz a Naamã que Eliseu havia mudado de ideia e que finalmente havia decidido aceitar os presentes. Com muita alegria, Naamã lhe entregou o dinheiro e os trajes finos, mas o presente se transformou numa maldição no momento em que a lepra de Naamã passou para o ambicioso Geazi.


Não é fácil receber gratuitamente. Mas essa é a essência do evangelho. Não oferecemos nada; recebemos tudo.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Jesus O Caminho...

Vocês conhecem o caminho para onde vou. João 14:4

Muito tempo atrás, no sexto século antes de Cristo, um menino nasceu numa família real na região que hoje chamamos de Nepal. A lenda diz que o pai protegeu o príncipe, herdeiro de seu reino, das tristezas e misérias comuns aos seres humanos. O menino conheceu apenas prazer, alegria e diversão, e aprendeu muitas coisas.

Mas um dia tudo mudou. O jovem encontrou-se inesperadamente com um homem doente, cujo rosto se contorcia de dor. Pela primeira vez em sua vida, ele viu o sofrimento causado pela doença. Então ele encontrou um homem idoso, com o corpo curvado, se arrastando pela estrada – o sofrimento causado pela idade avançada. Depois disso, ele encontrou um cortejo fúnebre, viu o corpo inerte, ouviu o lamento – o sofrimento causado pela morte.

O príncipe Gautama ficou profundamente comovido. Deixando sua esposa e o filho pequeno, ele renunciou ao trono e se tornou um monge itinerante, em busca de respostas para o sofrimento da humanidade. Posteriormente ele as encontrou e dali em diante passou a se chamar Buda, o iluminado.

Na análise de Buda sobre o mistério da vida, toda a existência se resume em sofrimento. A causa do sofrimento é o desejo; quando o desejo cessa, o sofrimento também cessa. Assim, Buda indicou o caminho para dominar o desejo.

Os ensinamentos de Buda, nobres como pareçam, contrastam radicalmente com os de Jesus de Nazaré. Gautama tinha a pretensão de mostrar às pessoas o caminho; Jesus alegava ser o caminho. Buda não atraiu a atenção para si mesmo ou procurou ser adorado; Jesus disse que era o eterno EU SOU. Buda viu a humanidade caída no poço do pecado e lhe disse como sair dele. Jesus desceu até o poço e carregou os seres humanos em Seus ombros.

Quando Jesus disse aos Seus discípulos que era o caminho, Ele estava para deixá-los. Ele tinha falado sobre ir para o Pai, para preparar um lugar para eles. Suas palavras deixaram os discípulos preocupados. Jesus indo embora? Jesus deixando-os­­­ sozinhos para enfrentar o mundo? Não, disse Jesus, “vocês conhecem o caminho para onde vou” (Jo 14:4). Tomé falou por todos nós: “Senhor, não sabemos para onde vais; como então podemos saber o caminho?” Então Jesus respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por Mim” (v. 5, 6).

Hoje podemos não saber que caminho seguir, como lidar com as preocupações e pressões da vida – casa, filhos, trabalho, igreja. Jesus é o caminho. Ele não apenas nos mostra o caminho; Ele é o caminho.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Quando a Vida Oferece Limões...

Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus; que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando muitos. Hebreus 12:15

O que você faz quando a vida lhe oferece limões? Você fica azedo, culpando a “sorte” ou culpando Deus? Ou você permite que a graça de Deus o conforte e sustenha a despeito do grau de dificuldade da situação?

Há algum tempo, a Associated Press [agência norte-americana de notícias] publicou a linda história de uma garotinha que não se deixou abater pelo infortúnio. Um pouco antes de seu primeiro aniversário, Alexandra Scott foi diagnosticada com neuroblastoma. Esse tipo de câncer, que ceifa a vida de cerca de 700 crianças nos Estados Unidos por ano, possui uma porcentagem de sobrevivência de apenas 40%.

Alexandra estava com oito anos na ocasião em que sua história correu na imprensa. Fazia sete anos que se submetia à quimioterapia e radioterapia. Mas Alexandra era uma garotinha muito corajosa que lutou com todas as forças e criou um plano para arrecadar um milhão de dólares para financiar pesquisas sobre o câncer.

Aos quatro anos, montou uma banquinha para vender limonada. Arrecadou dois mil dólares em apenas um dia. Depois disso, a cada ano, mais “Banquinhas de Limonada da Alex” surgiram, administradas por amigos e voluntários. Essas bancas de limonada já arrecadaram mais de 40 milhões de dólares.

Em 2004, ano em que a história foi publicada, todos os 50 estados dos Estados Unidos possuíam uma banquinha em funcionamento. Uma rede de supermercados montou bancas em seus estabelecimentos. Na cidade de Minneapolis, em Minnesota, uma família cujo filho tinha o mesmo tipo de câncer de Alexandra abriu banquinhas no estádio de beisebol. Um grupo de mendigos de Houston, no Texas, financiou uma banquinha, assim como uma escola de ensino fundamental da cidade de Milwaukee, Wisconsin.

Mesmo cansada e debilitada devido ao tratamento, Alexandra sempre se recusou a afastar-se de suas atividades. Fez questão de participar do programa de televisão Today Show para anunciar ao público o quinto dia anual da Banquinha de Limonada da Alex.

Todo dinheiro arrecadado por essa criança maravilhosa foi destinado às pesquisas sobre o câncer. Ela doou 150.000 dólares ao Hospital Infantil de Filadélfia, onde foi tratada. O restante foi doado a outros centros de pesquisa.

A vida ofereceu limões muito cedo para Alexandra Scott. Mas ela pegou os limões e fez limonada.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

No Senhor...

Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo. Efésios 6:1


Um lar em que os filhos honram, respeitam e obedecem aos pais: o ideal de todo cristão. Mas a questão é: Por quê? Por que os filhos fazem o que é certo? Por que se comportam segundo o desejo dos pais? Por que se dirigem de maneira respeitosa aos pais?

Talvez ajam assim por medo de agir de maneira contrária. Medo do que poderão sofrer se não fizerem assim. Medo do que lhes será negado. Isso não é “obediência”, mas uma conformidade externa que torna o futuro estritamente limitado. Ao serem removidas as restrições e as motivações externas, essa “obediência” se desvanece como um castelo de areia. Essa é a razão de “bons” filhos de “bons” lares cristãos geralmente rejeitarem todas as restrições no momento em que cortam os laços familiares.

Outro tipo de “bondade” vem do respeito ao padrão cristão do lar. Os filhos amam e respeitam os pais e se tornam “bons” filhos e “bons” adultos. Não se envolvem em confusão, nunca desonram o bom nome dos pais. Mas também sabem que são “bons” e não sentem a necessidade de um Salvador.

A única obediência que conta é a obediência que Paulo identificou no texto bíblico de hoje: “no Senhor”. A única bondade é a bondade que provém por meio de Sua graça. Ao percebermos a nossa iniquidade, aceitamos o sacrifício expiatório de Cristo em nosso favor e nos rendemos ao Seu amor.

Como podemos ajudar nossos filhos a ser obedientes “no Senhor”? Eu gostaria de saber a resposta. Parte da resposta certamente se encontra no modelo que oferecemos a eles como pais. O conceito que possuem de Deus será formado muito mais pelo que fazemos – a maneira pela qual nos relacionamos com eles e com os outros – do que pelo que dizemos.

Se formos dignos de confiança, aprenderão a confiar e terão facilidade em confiar em Deus, a quem não podem ver.

Se formos generosos, terão facilidade em aceitar o incrível dom da salvação.

Se demonstrarmos nosso amor por eles, terão facilidade em compreender que para Deus são infinitamente preciosos.

Se perdoarmos nossos filhos facilmente, talvez sejam capazes de aceitar o perdão infinito de Deus.

Quem é bom o bastante para desempenhar tamanha função? Nenhum de nós; mas Deus prometeu suprir nossas imperfeições.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Triunfo da Luz...

A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram. João 1:5


Verdadeiro ou falso: O mundo é lindo. O mundo é feio.
Verdadeiro e verdadeiro também.
Verdadeiro ou falso: A vida é maravilhosa. A vida é terrível.
Novamente, verdadeiro nos dois casos.

Estamos num conflito, o grande conflito entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram. Nunca conseguiram, nunca conseguirão. Glória a Deus por isso!

Em sua obra A Trilha Menos Percorrida (Nova Era, 2004), o psicoterapeuta M. Scott Peck narra a história inacreditável de um empresário de sucesso que conheceu. Fruto de uma relação ilegítima, passou por vários lares adotivos com total ausência de afeto. Aos 17 anos, foi preso por causa de um violento assalto. Após cumprir seis meses de prisão, foi admitido para trabalhar como auxiliar de almoxarifado numa pequena empresa. Para os assistentes sociais, seu futuro parecia tenebroso. Dentro de três anos, no entanto, ele se tornou o chefe de departamento mais jovem da história daquela empresa. Após cinco anos, ele se casou com uma executiva e abriu o próprio negócio. Na ocasião em que conheceu Peck, ele havia se tornado um pai amoroso e carinhoso, um intelectual autodidata, um líder na comunidade e um artista talentoso.

A história desse homem é apenas um dos vários exemplos registrados por Peck. Após ter a oportunidade de conhecer tais pessoas, Peck conclui que “há uma força, um mecanismo que não compreendemos plenamente”, que opera rotineiramente para promover nossa saúde mental e física. O mais impressionante, segundo Peck (que não era cristão na ocasião em que escreveu o livro), não é o fato de ficarmos doentes, mas o fato de não ficarmos doentes com mais frequência e nos recuperarmos quando deveríamos morrer.

O trecho mais impressionante do livro de Peck é a conclusão, capítulo em que o autor faz uma reflexão a respeito do que sua experiência como psicoterapeuta propõe. Ao esforçar-se para compreender a inclinação do Universo a nosso favor, recorre à única palavra que parece encaixar: graça!

O Dr. Peck descobriu que isso é verdade. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram. Nunca conseguiram, nunca conseguirão!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O Atleta Gentil...

Vocês não sabem que de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio. 1 Coríntios 9:24


Olhando para trás sob a perspectiva da cultura moderna em que os atletas são altamente remunerados e cercados de técnicos, treinadores e agentes publicitários, a história a seguir parece quase irreal.

Na manhã de 6 de maio de 1954, o médico estagiário Roger Bannister deu plantão no Hospital St. Mary em Londres, Inglaterra. Em seguida, entrou a bordo do trem que dali a uma hora o deixaria em Oxford. Era uma tarde de quinta-feira e cerca de 1.000 pessoas se reuniram para realizar uma competição de corrida não divulgada ao público. Apenas uma câmera de televisão estava presente e alguns poucos repórteres que haviam sido informados com antecedência.

Roger Bannister era estudante de medicina. Mas nas horas de folga também treinava, sem alarde, corrida de distâncias médias. Corria no horário do almoço, à noite e nos fins de semana. Não tinha técnico, treinador e muito menos nutricionista. Corria em pistas de atletismo de má qualidade, em parques, em qualquer lugar disponível.

Em 1952, Bannister foi selecionado para representar seu país nas Olimpíadas de Helsinki, Finlândia. Mas saiu tudo errado. Em vez de conquistar a medalha de ouro na corrida de 1.500 metros, ele chegou em quarto lugar. Além de fracassar, desapontou Oxford, famosa por seus atletas, e a Inglaterra.

O tempo se esgotava para Bannister. Ele estava com 25 anos, e a carreira médica consumia cada vez mais seu tempo. Em vez de aguardar outra chance nos jogos de 1956, Bannister estabeleceu um alvo ainda mais ousado. No atletismo havia uma barreira aparentemente intransponível. Ninguém havia conseguido correr 1.500 metros em menos de quatro minutos.

Naquela tarde em Oxford, num dia de chuva e vento, Roger Bannister conseguiu. No fim de um percurso difícil, cruzou a linha de chegada aos 3 minutos e 59.4 segundos, caindo nos braços dos amigos. Após o evento, não houve um contrato multimilionário com alguma famosa marca esportiva. Em vez disso, Bannister prosseguiu os estudos e se tornou um notável neurologista.

Todos nós corremos a corrida da vida. Na Terra, a competição impera. Mas na corrida cristã, a corrida que se tornou possível pela graça, ajudamos um ao outro até a linha de chegada. Nessa corrida, todo aquele que completar o percurso ganhará o prêmio da vida eterna.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Legião de Perdedores...

Disse o paralítico: “Senhor, não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque quando a água é agitada. Enquanto estou tentando entrar, outro chega antes de mim.” João 5:7


Afligido física e espiritualmente, era alguém digno de dó. Cego, coxo, paralisado... Em meio à multidão de deficientes físicos, seu caso era o mais desesperador. A doença havia paralisado seu corpo e por 38 anos sufocado a esperança. Ficava deitado, dia após dia, à espera de um milagre.

A história relatada no quinto capítulo do Evangelho de João é uma das mais estranhas da Bíblia. Especialmente o verso 4, que diz: “De vez em quando descia um anjo do Senhor e agitava as águas. O primeiro que entrasse no tanque, depois de agitadas as águas, era curado de qualquer doença que tivesse.”

Algo não soa real aqui. Será que essa é a maneira que Deus opera, garantindo a cura para uma pessoa que, abrindo caminho às cotoveladas, entra no tanque primeiro? Esse conceito é totalmente contrário à graça.

Na verdade, os manuscritos mais antigos não contêm esse verso. Essa é a razão de ele não ser encontrado nas versões mais modernas da Bíblia. Ellen White, ao comentar sobre essa passagem, observou que “acreditava-se comumente” que um anjo descia e movia as águas (O Desejado de Todas as Nações, p. 201). Que as águas se moviam de tempos em tempos não há dúvida, mas esse fenômeno provavelmente ocorria devido a uma nascente subterrânea.

Quando Jesus viu o inválido deitado ao lado do tanque, perguntou:

– Você quer ser curado?

Em vez de responder “sim”, aquele perdedor de primeira categoria conseguiu apenas responder:

– Não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque. Outra pessoa sempre entra primeiro que eu.

Ele não pediu para ser curado. Não tinha fé. Nem mesmo sabia o nome de Jesus.

Mas Jesus o curou assim mesmo.

– Levante-se! Pegue a sua cama e ande.

Imediatamente aquele homem foi curado. Pegou sua cama e andou.

Jesus ama os perdedores. Graça significa que mesmo os casos mais perdidos – pessoas tão devastadas que não conseguem nem mesmo pedir ajuda – encontram vida nova.

O Céu estará repleto de uma legião de perdedores. Como você e eu.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Além da Palavras...

Pois a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo. João 1:17


As palavras mudam de significado de uma cultura para outra ou dentro da mesma cultura.

Isso nos leva a refletir sobre os primeiros cristãos e o desafio que enfrentaram ao tentar escrever a respeito de Alguém que está além das palavras. Apesar de em muitos aspectos Jesus de Nazaré ter sido igual a qualquer outro ser humano, em outros foi totalmente diferente. Na beleza e pureza de Sua vida, em Sua compaixão e misericórdia, na perfeição de Seu caráter, Jesus foi sui generis – único, singular.

Como falar ou escrever sobre um Homem que excede a habilidade da linguagem para expressá-Lo? Inventando novas palavras, um novo vocabulário? Não seria uma má ideia, mas não ajudaria em nada. Ninguém entenderia coisa alguma do que fosse escrito. A outra maneira (que na verdade é a única maneira) é pegar palavras que já existem e dar-lhes um novo significado.

Foi exatamente isso o que os primeiros cristãos fizeram. Eles encontraram, por exemplo, uma palavra grega muito, muito antiga, charis, e atribuíram-lhe um novo significado. Essa palavra, que originou palavras como “carisma” ou “carismático”, inicialmente era empregada no sentido de “favor”. Era usada especialmente de duas maneiras: a primeira, para descrever alguém fisicamente favorecido; a segunda, para expressar apreciação.

O Novo Testamento contém vários exemplos de tais usos, como no texto em que lemos que Jesus crescia no favor de Deus e dos homens (Lc 2:52), ou quando Paulo exclamou: “Agradeçamos a Deus” (1Co 15:57, NTLH). Em ambos os casos a palavra é charis.

Entretanto, a palavra charis foi utilizada de forma predominante no Novo Testamento com um sentido novo: “graça”. Não mais apenas favor, mas o favor de Deus, demonstrado a nós através de Seu Filho amado. Favor sem mérito algum, favor totalmente imerecido. Jesus, cheio de graça (charis) e de verdade, ultrapassa as fronteiras da linguagem. Ele é maravilhoso, além das palavras.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Abençoada Inimizade...

Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar. Gênesis 3:15

A jornada da vida está repleta de surpresas. Um jovem, com o mundo aos seus pés, joga tudo fora e destrói a vida. Após 20 anos de amor e companheirismo ao buscar construir um lar e estabelecer uma família, um cônjuge abandona tudo e foge com outra pessoa.

Mas há também o outro lado. Existem crianças que aparentemente têm tudo contra si, crianças que nasceram em lares destruídos e defeituosos, crianças cujos pais são alcoólatras, crianças sem alguém próximo que tenha ao menos completado o ensino médio, crianças condenadas à morte prematura por causa das drogas, do conflito entre gangues ou do abuso, mas que de alguma forma sobrevivem, quebram o ciclo, prosseguem quem sabe nos estudos e contribuem para o bem da sociedade, que fica impressionada ao saber de suas origens.

Não estamos sozinhos na batalha desta vida. Se estivéssemos sozinhos, todos nós, a despeito das condições em que fomos criados, seríamos marionetes do diabo. Seríamos movidos para lá e para cá, presos aos cordéis em suas mãos. A queda no Jardim do Éden inclinou de forma irresistível a nossa natureza ao pecado. É muito mais fácil mentir do que falar a verdade, odiar do que amar, trair do que ser fiel.

Mas não estamos sozinhos. Deus não nos deixou no poço que nós mesmos cavamos. Ele pôs inimizade entre a serpente e nós. Não temos que obedecer à ordem de Satanás. Podemos buscar a Deus.

O que é essa inimizade, essa oposição contra o mal, que corre contra a nossa natureza? É a graça.

“É a graça que Cristo implanta na alma que cria no homem a inimizade contra Satanás. Sem esta graça que converte, e este poder renovador, o homem continuaria cativo de Satanás, como servo sempre pronto a executar-lhe as ordens. Mas o novo princípio na alma cria o conflito onde até então houvera paz. O poder que Cristo comunica habilita o homem a resistir ao tirano e usurpador. Quem quer que se ache a aborrecer o pecado em lugar de o amar, que resista a essas paixões que têm dominado interiormente e as vença, evidencia a operação de um princípio inteiramente de cima” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 506).

Obrigado, querido Deus, por essa abençoada inimizade!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A Obediência da Graça...

Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias”, declara o Senhor: “Porei a Minha lei no íntimo deles e a escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o Meu povo.” Jeremias 31:33

Sim, a obediência é importante. Ao longo das páginas da Bíblia, Deus nos conclama a obedecer. Mas que tipo de obediência Ele requer? Essa é a questão.

A única obediência que conta é a obediência da graça
. Ao sermos conquistados por Deus através de Seu amor, ao vislumbrarmos a glória da Palavra que Se fez carne, que armou a Sua tenda entre nós a fim de revelar o caráter de Deus e que voluntariamente Se dispôs a ir ao Calvário em nosso lugar, ao cairmos aos Seus pés e como Tomé exclamarmos: “Senhor meu e Deus meu (Jo 20:28), passamos a desejar servi-Lo e obedecer-Lhe.

A obediência da graça significa que Deus escreve Sua lei em nosso coração e em nossa mente. Não trabalhamos mais como funcionários assalariados em busca de recompensa, mas vivemos como filhos e filhas da família divina. Ao lançarmos nossas ansiedades e preocupações sobre Jesus, tomaremos Seu jugo e perceberemos que Seu jugo é suave e Seu fardo é leve (Mt 11:30).

Um poema antigo atribuído a São João da Cruz expressa a essência da obediência da graça, do coração que se apaixonou por Jesus e deseja nada mais do que Ele.

Não me move, Senhor, para Te amar
O Céu que me prometeste.
Nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de Te ofender...
Move-me enfim o Teu amor,
E de tal maneira
Que ainda que não houvesse Céu eu Te amaria;
E ainda que não houvesse inferno Te temeria.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Deus cuida...

Lancem sobre Ele toda a sua ansiedade, porque Ele tem cuidado de vocês. 1 Pedro 5:7

No século 13, Frederick II, imperador do Sacro Império Romano, realizou uma experiência para descobrir que espécie de linguagem as crianças desenvolveriam se fadadas ao silêncio desde os primeiros anos de vida. Ele selecionou alguns bebês recém-nascidos e ordenou que ninguém falasse com eles. Apesar de ter escolhido responsáveis para amamentar e banhar os bebês, proibiu-os estritamente de cantar ou falar com as crianças. Mas a experiência fracassou – todos os bebês morreram!

Uma “criança selvagem” encontrada na Califórnia, Estados Unidos, respondeu à pergunta levantada por Frederick II. Genie, apelido que recebeu dos assistentes sociais a fim de zelar por sua privacidade, era uma menina de 13 anos de idade que foi mantida isolada num pequeno quarto e desde a infância nunca ouvira uma palavra sequer por parte dos pais.

O pai de Genie aparentemente odiava crianças. Desde os 20 meses de idade até 12 anos mais tarde, ocasião em que foi descoberta, Genie viveu praticamente em total isolamento. Nua, presa por uma armadura confeccionada pelo pai, era obrigada a ficar sentada num vaso sanitário dia após dia. À noite, o pai a colocava numa espécie de camisa de força e a enjaulava num berço com laterais de malha metálica. Se fizesse qualquer barulho, era espancada. Ele nunca falou com ela.

Genie foi descoberta em novembro de 1970, ocasião em que a mãe a levou para a assistência social. Era uma adolescente em estado deplorável, deformada, descontrolada, antissocial, subnutrida. Não era capaz de se manter em pé. Não conseguia ficar ereta. Não sabia mastigar. Pesava somente 27 quilos. E não sabia falar, apenas choramingar.

O fato de Genie ter sobrevivido é inacreditável. Ao longo dos anos de reabilitação, ela aprendeu a se comunicar de forma confusa. Embora aparentemente tenha nascido uma criança normal, o resultado do teste de QI foi de apenas 38 em 1971, e de 74 em 1977. Por ter-lhe sido negada a oportunidade de desenvolver-se, certas partes do seu cérebro nunca funcionarão como deveriam.

Todos nós fomos criados para receber carinho. Não importa a idade, fomos feitos para amar e ser amados. Se não tivermos alguém que se importe conosco, a vida se torna um grande sofrimento sem fim. A boa notícia é que Jesus colocou-nos sob o cuidado de Deus! Ele Se importa imensamente conosco. Tudo o que sabemos sobre compaixão, bondade e amor é tão somente uma pálida sombra do cuidado infinito de Deus. Foi isso que Jesus ensinou e viveu.